segunda-feira, 14 de julho de 2008

Marvão, terra de mil histórias

“Não há pôr-do-sol como o de Marvão”, assim se canta os encantos desta terra alentejana. Por entre o verde da Serra de São Mamede, surge imponente, a cerca de 900 metros de altura, Marvão, vila antiga e protectora dos inimigos, que chegados dos lados de Espanha, queriam conquistar a planície norte de Portugal. Séculos depois, as 150 pessoas que habitam a vila de Marvão mantêm intactas as tradições, como as ruas estreitas de pedra, as casas brancas, os jardins geometricamente desenhados, os cheiros como o de pão acabado de cozer em forno de lenha e o cheiro da planície alentejana que se descobre, entre a muralha.

A partir de Lisboa, são necessárias cerca de três horas para chegar à vila de Ibn Maruam, fundador de Marvão, no século VIII, e então conhecer histórias de traição, a única maneira encontrada pelo inimigo para invadir a vila alentejana, ver peças de roupa antiga bem como utensílios de uso diário conservados pelo museu municipal, situado dentro das muralhas de Marvão.

O fim-de-semana pela história e pela natureza contínua com a descida da vila até à Portagem pelo caminho romano. São dois quilómetros e meio de calçada romana escondida entre os castanheiros da serra que afasta o calor característico destas terras fronteiriças. No final da descida espera-nos uma ponte do século XV que dá o nome à aldeia de Portagem. Esta ponte serviu de fronteira e aqui se pagava uma taxa para entrar em terras lusas. Por baixo da ponte corre transparente e cheio de vida o rio Sever. É por aqui que o dia convida a uma paragem e a um mergulho nas piscinas naturais. Depois, quando as estrelas começam a marcar presença, as esplanadas junto ao rio chamam-nos e, entre os cantares dos grupos folclóricos, o corpo recupera as energias gastas e delicia-se com a cozinha da região (a não perder a alhada de cação, a sopa de tomate, o pão de rala e a mousse de castanhas, entre muitas outras iguarias que devem ser acompanhadas pelo vinho da região).

A noite já vai longa e o turismo de habitação é a escolha acertada para descansar e preparar mais um dia de aventura e descoberta. Entre muitas casas de turismo rural, a Quinta Hortas Velhas surge como uma excelente proposta. Situada em Alvarrões, a escassos 15 quilómetros de Portagem, o casal Regala, os proprietários deste espaço, recebem os hóspedes com simpatia e tamanha amabilidade que rapidamente nos sentimos em casa. Coincidência, ou não, os elementos da natureza (ar, fogo, água e terra) dão o nome a cada uma das casas que compõem a quinta. Da janela de cada casa, a piscina e a paisagem do norte alentejano impõem-se aos nossos olhos. Levantar cedo (quase) não custa. A manhã fresca e o chilrear dos pássaros convida a um passeio pelas Hortas Velhas. Engenheiro agrónomo de profissão, o Sr. Regala cultiva parte da terra, trabalho que deixa no ar um cheiro a terra molhada, devido à rega, a fruta e legumes frescos que crescem. Uma capela e alguns monumentos megalíticos decoram este turismo rural.

Os monumentos das Hortas Velhas são um bom ponto de partida para o segundo dia de passeio: visitar a cidade romana da Ammaia, fundada no século I a.C.. Aqui é possível ver parte das casas deste tempos, bem como o arco que marcava a entrada na cidade que terá sido erguida pelos senhores de poder, que vinham de Mérida passar o Verão em Ammaia. O trabalho de escavação ainda está no início, mas já possibilitou erguer um museu, onde estão expostas peças ali encontradas e que documentam a forma de viver de há muitos séculos, sendo também a prova de como mantemos muitos hábitos destes tempos remotos.

O fim-de-semana aproxima-se do fim, mas estamos no Alentejo onde a natureza nos prende e a barragem da Apartadura, a poucos quilómetros de Portagem, convida a senti-la. É lá que vamos despedir da região de Marvão, com um passeio de canoagem e uma paragem obrigatória a meio do grande lago da Apartadura para escutar o silêncio da serra e ver o pôr-do-sol de Marvão.




















Onde ficar:
Quinta do Barrieiro
Casa Ana Pestana
Turimenha
Quinta das Hortas Velhas
Casa do Ginjal

Onde Comer:
O Sever
Mil Homens
Restaurante da Albergaria D. Manuel

A não perder:
Rotas do Contrabando
Desportos Radicias
Festa das Castanhas (segundo fim-de-semana de Novembro)